terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Resenha #62 - Estação Perdido (China Mieville)

Estação Perdido é uma das obras mais conhecidas de China Mieville e a primeira da trilogia Bas-Lag, que ainda tem "The Scar" e "Iron Council", que ainda não foram lançadas no Brasil. Ela é um dos marcos do chamado "New Weird", subgênero da literatura fantástica que busca causar estranhamento e os mundos de China Mieville exatamente assim.

Estação Perdido, em especifico, é uma Fantasia Urbana passada na cidade fictícia de Nova Crobuzon. A estória começa com Yagahrek, um membro da raça Garuda, que contrata o cientista Isaac Grimnebulin para construir invento que possa fazê-lo voar novamente. Há Lin, a namorada Kephri de Isaac, que mantem um romance indiscreto. As coisas começam a dar errado quando um dos experimentos e Isaac foge do controle, ameaçando toda a cidade de Nova Crobuzon. Esta, em verdade, é a protagonista da estória.

Mieville conduz o leitor a uma verdadeira exploração sensorial, antropológica e social pela cidade. É sensorial porque é possível sentir cada tipo diferente de fedor que ela exala, influência do Steampunk; Antropológica, pois existe uma coexistência tensa entre as diversas raças e suas culturas perpassando as relações entre os personagens. Além dos humanos, existem Garudas [homens-pássaros], Keprhis [uma raça de insetos onde apenas as mulheres são antropomórficas e inteligentes], Vodyanois [especie de homens-sapo], entre outros. Todos eles foram tirados de diversas culturas, como o deus egípcio Keprhi, porém nada foi aproveitado de sua mitologia; e é social devida as relações sociais repressivas dos mandantes de Nova Crobuzon, que não poupa os cidadãos condenados a terrível punição de serem "Refeitos", ou seja, passar por transformações mágicas medonhas como castigo ou para se tornarem armas ciborgues do governo.

Neste aspecto, a influência política de esquerda do autor se faz presente, mas não chega a ser invasiva. Torna-se muito perceptivo apenas aqueles que procurarem ativamente por elas, portanto não se trata de uma excepcionalidade. Nenhum autor deixa suas posições na gaveta quando resolve escrever um romance. A crítica social é latente e considero muito bem vinda, para pensar nossas cidades e nossa sociedade, mesmo se tratando de um mundo de fantasia.

O destaque desta obra, contudo vai para a cidade de Nova Crobuzon, como personagem. Quem conclui a leitura de Estação Perdido, certamente ficará com a impressão de ter viajado para uma cidade, conhecido seus moradores, ruas e vivido alguns de seus dramas. É muito mais do que viagens assépticas, cheias de selfies em monumentos que se faz presencialmente hoje em dia, não é verdade?!

2 comentários:

  1. Contudo não o classificaria como Ficção Científica. Comecei a ler Estação Perdida, mas não aguentei e larguei, vamos ver se consigo termina-lo ainda este ano.

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    1. Eu também não o classifiquei como Ficção Científica, mas como Fantasia Urbana, além do autodefinido "New Weird"

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