sábado, 25 de junho de 2016

Nukemap: Simulador de Bomba Nuclear

Em tempos de Guerra Fria a bomba nuclear povoou o imaginário social com o medo de um ataque nuclear. As armas atômicas ainda existe e muitas. Neste simulador você pode jogar uma ou várias bombas nucleares com quantos quilotons desejar, em qualquer cidade do mundo e ainda pode pedir um cálculo de baixas e a propagação do vento radioativo. O simulador também oferece várias bombas existentes, desde uma bomba suja usada por terroristas (não sei de onde tiraram isso) até a maior bomba construída, a Tzar de 50, e a pojetada, a Tzar de 100, ambas da União Soviética. Você também pode escolher algumas das capitais sugestivas além de locais históricos, como Hiroshima e Nagasaki. Então pegue a maior bomba, jogue em sua cidade e seja feliz!
Para acessar o simulador entre direto por aqui:


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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Resenha #29 - Solaris (Stanislaw Lem)

SEM SPOILER
Solaris de Stanislaw Lem, vai na contramão das estórias de virtuosos exploradores espaciais e conquistadores de planetas. O sonhado contato da humanidade com uma inteligência alienígena se mostra uma frustração em Solaris. Após décadas de exploração, a pergunta continua: o que é Solaris?

Estória se passa num futuro de exploração espacial onde Kris chega a estação de Solaris e descobre que seu mestre havia cometido suicidio. Os dois tripulantes remanescentes Snow (ou Snaut, dependendo da edição) e Sartorius, estão com perturbados mentalmente. Kris logo descobre que o motivo são a aparição de pessoas sabidas mortas pela estação. Logo Kris encontra Rheya (ou Harey), sua esposa que suicidara-se logo após uma separação. Contudo não são fantasmas, pois interagem com os outros tripulantes, mas também não são humanos como eles, ou seriam?

Uma imensa estranheza
O romance é curto no tamanho, mas bastante denso. Principalmente no aspecto psicológico com as aparições personificadas dos traumas de Kelvin. Mas também nas descrições dos estudos solaristas que precederam o tempo dos personagens, que são uma forma de criticar as instituições, ao que parece, como um todo. Solaris, a obra, acaba acertando em cheio no romantismo das viagens espaciais e do explorador virtuoso. No seu lugar temos uma humanidade extremamente frustrada com décadas seguidas de fracasso no tão desejado contato com o alienígena. A biblioteca inteira de estudos solaristas, que não chegam perto de uma conclusão, é uma manifestação desse sentimento. Em meio a isso é o homem que se torna um ser estranho no espaço, um verdadeiro mistério.

Considerações finais.
Solaris é um livro pesado. Mergulhar em seus mistérios pode ser tão frustrante quanto é para seus personagens e essa inquietação o torna um livro intragável para quem quer apenas uma aventura. Mas para quem prefere boas perguntas do que boas respostas é um livro recompensador. Um drama psicológico com grandes pinceladas de melancolia.

A edição lida para essa resenha é a da Circulo do Livro. Pequena e com capa dura e possui um belo ensaio (ainda que datado) do critico croata Darko Suvin.
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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Resenha #28 - Lição de anatomia do temível Dr. Louison (Enéias Tavares)

[SEM SPOILERS]
"Lição de anatomia do temível Dr. Louison" (2014), romance de estreia de Enéias Tavares, foi concebido como o primeiro de uma série e possuí duas premissas muito interessantes: a estética steampunk adaptada ao Brasil e a inserção de personagens já existentes da literatura brasileira da segunda metade do século XIX e do início do XX, combinadas com uma consistente trama policial.

No romance, o jornalista Isaías Caminha é enviado a Porto Alegre, para investigar o caso do assassino em série Antonie Louison, que está preso no Hospício São Pedro, com a data de execução marcada. Rapidamente nos vemos diante de um quebra-cabeças quando Louison escapa.

A obra se apresenta como um dossiê reunindo cartas e entrevistas, escritas e transcritas de gravações, além de trechos de processos jurídicos (nem um pouco maçantes). Todas datadas, indo e voltando no tempo. Cada parte adiciona explicações e perguntas ao caso.

Também somos apresentados a vários personagens que habitam esse mundo, alguns criados pelo autor e outros retirados da literatura brasileira. O protagonista, Dr. Louison, (criação do autor), é o centro da narrativa e sua personalidade é montada e desmontada pelos diversos pontos de vista, contraditórios e cheios de segundas intenções.

Fez MUITO jus ao "punk" do Steampunk
A lição de anatomia do temível Dr. Louison não se prende às convenções da ficção científica, nem aos seus debates sobre tecnologia, embora eles sejam pincelados. É importante ter isso em mente para não se decepcionar, à espera de uma mera versão brasileira de A máquina diferencial. "A máquina diferencial". O que não significa que os personagens marginalizados e cheios de atitude não estão lá. Eles aparecem, inclusive, de forma mais intensa e consciente que na obra seminal de Gibson e Sterling - o Parthenon Místico exemplifica esse ponto.

Leiam livros nacionais!
Outro elemento do Steampunk presente na obra é a inserção de personagens da literatura numa história alternativa. Relembremos "A Máquina Diferencial", que colocou os personagens Sybil Gerard e Mick Dandy, de Benjamin Disraelli levando vidas alternativas numa realidade histórica diferente. Tavares elevou essa experiência, como n'A Liga Extraordinária, de Alan Moore, usando personagens da literatura brasileira.

A leitura dos livros de origem dos personagens emprestados não é pré-requisito para compreender A lição de anatomia. Apesar de que reconhecer algum deles arranque um sorriso durante a leitura, acredito que o caminho da obra seja justamente o oposto: ela grita o tempo todo que a literatura brasileira não é necessariamente uma chatice obrigatória para provas de vestibular, demonstrando que em meio a esses livros abundantes, facilmente encontrados por menos de dez reais nas prateleiras de sebos e livrarias, e comumente ignorados em prol da literatura estrangeira, existem excelentes personagens e enredos.

A trama é complexa em fatos, formas e vozes (por vezes contraditórias) que se fecham como um livro e pedem mais histórias em virtude de tantos personagens inseridos em destinos alternativos. Talvez escapem detalhes e ironias em relação a Porto Alegre, que o autor colocou em forma de inversões, como o nome dos jornais. Porém, a maioria dos personagens é de fora do Rio Grande do Sul, ainda que contemos a própria cidade como um. Fora isso, os percalços são irrisórios durante a prazerosa leitura.

Bônus: Não me atrevo a disponibilizar o livro resenhado, aos interessados, é melhor comprá-lo. Contudo, as obras de origem dos personagens emprestados são de domínio público, logo, pode ser disponibilizado. Segue uma lista com links dos livros recolhidos onde puderam ser encontrados. Baixe aqui ou compre num sebo que certamente o leitor encontrará barato:
Solfieri
Noite na taverna de Álvares de Azevedo, 1855. 
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Simplício e o misterioso armênio
A luneta mágica de Joaquim Manuel de Macedo, 1869.
* * *
Simão e Evarista Bacamarte
O alienista de Machado de Assis, 1890. 
* * *
Sérgio e Bento
O ateneu de Raul Pompeia, 1888.
* * *
Rita Baiana, Pombinha e Léonie
O cortiço de Aluízio de Azevedo, 1890.
* * *
Vitória Acauã
Contos Amazônicos de Inglês de Souza, 1893. 
Download (este arquivo contém apenas o conto "Acauã" onde Vitória aparece.)
* * *
Isaías Caminha, Floc e Loberant
Recordações do escrivão Isaías Caminha de Lima Barreto, 1909.
* * *
Doutor Benignus
O Doutor Benignus de Augusto Emílio Zaluar, 1875.
Esta obra ficou perdida por muitas décadas até ser encontrada e editada pela Editora da UFRJ, sendo a única edição que está esgotada e, até onde pude verificar, nunca foi digitalizada.
* * *
Família Magalhães e a Ilha do Desencanto
Georgina de Apeles Porto Alegre, 1873-1874. 
Esta é a única, realmente difícil de encontrar. Segundo o próprio autor, Enéias Tavares: "Georgina é uma noveleta publicada em quatro partes na antiga Revista Mensal do Parthenon Literário em 1872. Ela foi reunida com o título 'A Ilha do Desencanto' numa coletânea dedicado ao grupo literário ainda na década de 1990." Tal edição está esgotada e até onde pude verificar, nunca foi digitalizada.
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sábado, 11 de junho de 2016

Resenha #27 - A mão esquerda da escuridão (Ursula K. Le Guin)

[SEM SPOILERS]
Esta é a obra mais conhecida de Ursula K. Le Guin. A mão esquerda da escuridão é um mergulho na humanidade, sem as metáforas usuais da ficção científica (robôs, androides) mas com a sexualidade, numa jornada através do gelado planeta Gethen e seus habitantes humanos hermafroditas. Esta obra é contada no mesmo universo ficcional de outros livros de Le Guin, chamadas de Ciclo Hainnish.* (mais detalhes lá no fim...)

Estória
Genly Ai é um enviado do Ekumen, uma liga dos mundos conhecidos, ao planeta Gethen. Também conhecido como Inverno, pelas temperaturas rondarem -30/-50ºC no inverno. O livro inicia quando já se passaram dois anos da sua missão: preparar os habitantes do planeta para ingressarem na liga espontaneamente. Contudo o choque de um terráqueo com uma cultura tão diferente, derivada de uma variedade humana que não possui distinção entre gêneros, vai atrapalhar seus objetivos. Seu contato mais próximo é com Estraven, primeiro-ministro da nação Kharide, de quem Genly não confia muito.

O que há neste livro
O livro se apresenta como um relato em primeira pessoa, alternando Genly, Estraven e alguns relatos curtos com tom antropológico, histórico ou mitológico sobre a vida no planeta. As descrições são bastante ricas: dos modos cotidianos ás divisões políticas, da mitologia ás paisagens geográficas. O leitor poderá se queixar de lentidão na narrativa (o que é bastante variável de leitor para leitor), mas nunca de não ter informações suficientes. Todas as evidências de um relato completo e genuíno. 
Le Guin diz no prefácio, que o trabalho do escritor é mentir e não prever o futuro, e ela mente compulsivamente bem. Tudo isso é conduzido com uma escrita muito habilidosa e muito acima da média entre os escritores de Ficção Científica. É quase possível sentir o frio de Gethen. 
Mapa de Gethen, retirado do site oficial da autora

Ousar imaginar um novo mundo
As especulações sobre a vida desses seres que carregam os dois gêneros são bem trabalhadas pela estranheza de Genly em sua relação com Estraven, que conduzem a um final bem construído. O objetivo é, assumidamente pela autora, pensar na nossa própria condição humana no presente. É uma Ficção Científica feminista por ousar vislumbrar uma sociedade sem uma relação de superioridade entre gêneros, afinal eles não existem em Gethen. Alias, é interessante ver os gentheninanos considerarem uma "perversão" ter um gênero definido todo o tempo, entre outras singularidades.

Considerações finais
É um livro que tem um potencial de marcar o leitor, ou seja, muda-lo de alguma forma após a leitura, não apenas por apresentar um novo mundo imaginado. O que Le Guin faz é mostrar um mundo possível e também como ele é através de metáforas brilhantes. Os personagens são bem construídos pelas relações que estabelecem entre si e o mundo. É um livro mais do que recomendável.

Livro lido para esta resenha: O livro foi formatado numa letra bastante confortável e tem um prefacio muito profícuo para entender um pouco do que a autora entende por literatura e ficção científica. O único aspecto negativo é a ausência de um mapa de Gethen, (a edição antiga de Os Despossuidos possuía um mapa) o que facilitaria muito nas partes em que a geografia do planeta é trabalhada com mais detalhamento.

Outras edições do livro:
 

Nota:
* Livros dos Ciclo Hainnish: Na ordem cronológica com a data da primeira edição.
Floresta é o Nome do Mundo (The Word for World Is Forest) – 1976;
Planeta do exílio -1966;
Cidade das ilusões – 1967;
A Mão Esquerda da Escuridão (The Left Hand of Darkness) – 1969;
The Telling – 2000; 
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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Conto autoral - Eterno retorno


Na órbita da estação espacial, o captador de Dyson devorava a luz solar nutrindo as veias da grande civilização. Os cientistas responsáveis pela sua manutenção eram poucos, e tão espalhados pela colossal circunferência, que nunca se viram antes.

Um deles via aos seus pés o abismo de calor e acima o vazio interminável. Há muito, ansiava pelo retorno ao seu planeta natal. Viajava a velocidade do som pelos trilhos em busca de fissuras. Então uma voz o alcançou e ordenou. 

- Pare, pare!

Parou completamente seu veículo e olhou para os lados em busca da fonte da voz. Seria uma ilusão, pensou. Alguém veio por trás e varou seu peito com um objeto cortante, quente e cauterizante. Pode ver antes de morrer que era ele próprio com mais barba.

O homem removeu o traje procurou uma cicatriz. Nada. Entrou no veículo abandonado e saiu em busca do próximo.

Davenir Viganon
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sábado, 4 de junho de 2016

Resenha #26 - O guia do mochileiro das galáxias (Douglas Adams)


[SEM SPOILERS]
A inusitada abordagem do livro de Douglas Adams, usa o humor para várias críticas a instituições, da religião a ciência, passando pela burocracia. São tantos alvos que é até difícil listar todos em que o autor estava mirando. 

Estória
Arthur Dent é levado a uma insólita viagem espacial, por seu amigo (e ET disfarçado) Ford Prefect, antes da Terra ser destruída por uma raça de seres burocráticos. Dent vai conhecer e reconhecer outros personagens, entre eles: Comandantes de naves espaciais, um robô deprimido, um arquiteto de grandes coisas com barba branca e seus clientes pequeninhos.

Humor e crítica as instituições
O grande atrativo do livro é a narrativa ágil. É uma exigência do humor. O que torna enganoso o pequeno número de páginas, pois é cheia de significados escondidos em quase todas as situações. Sendo assim, muitas coisas acontecem. Os rumos da estória subvertem os caminhos usuais da Ficção Científica em nome do absurdo e do humor.

Os objetivos dos personagens são bizarros, geram um estranhamento, porém recompensa o leitor que procura encontrar algum sentido em toda a confusão. Ele está lá em algum lugar. Contudo, é necessário entender quais instituições estão sendo criticadas nas passagens, sob risco do absurdo ser apenas absurdo.

O protagonista, é o humano mais padrão possível. Serve de olhos do leitor. O lado racional constantemente é desafiado para estabelecer o parâmetro da loucura do enredo. Quando o enredo, mais para o final, começa a fazer algum sentido a situação se inverte e Dent parece o lado louco.

Considerações finais
A narrativa ágil, facilita e torna a leitura prazerosa, porém a leitura do humor pelo humor promete ser dificultada pois as referências as críticas são necessárias para entender boa parte das sacadas. É um interessante contrapeso a densos debates que as obras de FC costumam suscitar e, apesar de não ser nem um pouco raso, está longe de ser tão produtivo quanto outras obras do gênero. Isso acontece pois as críticas pelo humor apenas apontam o que consideram errado e nos fazem rir delas.

Livro lido para a resenha: O Guia do mochileiro das galáxias de Douglas Adams. Editora Arqueiro, 156 p.
Todos os livros da edição econômica, da trilogia de cinco (com uma sequência)
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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Resenha #25 - Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet (Julian Assange)

Este o primeiro livro de não-ficção resenhado aqui no blog. Para quem lê Ficção Científica, e gosta de imaginar o futuro, esta obra pode ser interessante para propiciar essa reflexão. A proposta da resenha será a mesma dos livros de ficção: Dar uma pequena ideia do que o leitor encontrará ao abrir o livro e ler suas páginas. A opção de ler ou não é toda sua.
* * *
"Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet" apresenta-se na forma de debate transcrito entre quatro ativistas da internet (Julian Assange, Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérèmie Zimmermann) sobre o uso da internet para cercear a liberdade. As conversas foram gravadas na embaixada equatoriana em Londres, onde Assange ainda está sem poder sair. Os outros membros da mesa, também relatam perseguições.

Os capítulos são os tópicos abordados onde os membros da mesa traçam um panorama da situação da internet. As falas são intensas e apressadas, dão o tom de alerta do livro. As análises não são densas, mas abrem possibilidades e fazem o leitor procurar por mais. Cumpre sua função. Ainda assim, são cheias de notas de rodapé explicativas que já ajudam o leitor, por ventura seja pouco intimo do mundo da alta tecnologia, a se encontrar em meio aos debates entre o pessoal entendido.

A introdução da edição brasileira, também trás três bons artigos panorâmicos, a respeito do Wikileaks. Um sobre o contexto Geral, outro direcionado a América Latina e outro sobre o Brasil. Eles fazem uma excelente contextualização dos assuntos debatidos mais adiante.

O conteúdo do livro, pode não ser novidade para os já informados sobre a guerra digital, mas é uma excelente primeira leitura sobre o assunto. A denuncia parte da própria existência dessa guerra, furiosa e "invisível". O ciberespaço está a caminho de uma franca militarização e as suas armas não são apenas vírus que desestabilizam alvos cirurgicamente, mas também na vigilância constante. Todo o ciberespaço, a internet, é o campo de batalha e todas nossas informações servem a essa guerra. A isso consideremos toda a informação pessoal que viaja pela interne, não apenas a que colocamos voluntariamente nas redes sociais. Durante o livro esses sistemas são descritos e como podem afetar diretamente o indivíduo. Além dos governos derrubados e da perseguição dos indivíduos que denunciam isso. Diante desse cenário aterrador, digno das piores distopias, os debatedores apostam na criptografia e em programas de código aberto para proteger os próprios dados e não alimentar os sistemas de vigilância. 

Como o livro é de 2012 (2013, no Brasil), algumas informações estão desatualizadas. O leitor deve levar em consideração, por exemplo, quando falam da compra pela Líbia de um sistema de vigilância por Gadaffi. Na verdade, o sistema serviu para facilitar a sua queda e morte, mas em nada muda a mensagem de alerta. 

É um livro muito bom para começar a entender que as informações que circulam não passam inocentemente pela rede e ainda serve como um excelente panorama da situação. O leitor pode tanto se chocar, como achar que é muito alarmismo, porém as reflexões que ele suscita com certeza levarão consigo.
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