segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Resenha #12 - A Máquina Diferencial (William Gibson e Bruce Sterling)

[SEM SPOILERS]
A Máquina Diferencial (William Gibson e Bruce Sterling) é a obra de referência do subgênero Steampunk, por toda a estética construção para o livro que se pauta numa História alternativa. A premissa é a de que a Máquina diferencial, de Lorde Babbage, foi concluída e implementada pelo governo britânico culminando numa versão mais acentuada da Revolução Industrial que estudamos na escola. Temos uma grande quantidade dos desdobramentos sociais, políticos, tecnológicos e estéticos, deste mundo envoltos em mistérios intrincados com a tecnologia de computadores.

A estória acompanha três personagens principais: Sybil Gerard, uma prostituta filha de um revolucionário ludita traído que encontra Mick Radley auxiliar de um político Texano que deseja dar um golpe de estado no Texas;e  Edward Mallory, paleontologista famoso que retorna a Londres depois de uma expedição bem sucedida, onde descobre o brontossauro; e Laurence Oliphant, um jornalista misterioso que junta algumas partes do misterioso quebra-cabeça em relação dos cartões perfurados pertencentes a Lady Ada Byron. O mistério envolve inclusive a identidade do narrador onisciente do livro.

Fazendo jus ao punk, do Steampunk 
O mundo criado por William Gibson e Bruce Sterling, é grande parte do atrativo da obra. Uma mundo movido a tecnologia de vapor e engrenagens mecânicas á partir da Inglaterra, deu muita margem a interpretações glamourosas e luxuosas da estética steampunk. Mas não se engane, é um mundo tão sujo e cheio de personagens marginais como o cyberpunk. Um mundo movido também a carvão que deixa a acidade tão poluída e nublada da fumaça das fábricas como as grandes cidades da China de hoje. Os personagens reclamam da poeira por muito mais tempo que comentam vestuários luxuosos. A Máquina Diferencial faz jus tanto ao vapor quanto ao punk que compõe o subgênero que lhe é atribuído.

O que ajuda e o que pode atrapalhar nesta jornada
Um aspecto que se tornou marca das obras Steampunk é que suas edições primam pela estética. Não refiro-me apenas a capas bonitas, mas a busca por um linguajar da época, mapas, informações adicionais como glossários de termos e personagens, tanto os históricos como os criados para a obra. Isso com certeza ajuda o leitor a imergir neste mundo alavancado pela dupla Gibson e Sterling. Contudo, o leitor pode encontrar dificuldades na leitura caso não conheça um pouco do contexto da Revolução Industrial.

Um dos requisitos para curtir uma história alternativa é conhecer um pouco da história, digamos, "oficial" para poder viajar nos cenários que nunca se concretizaram e poder surpreender-se com eles, por exemplo nos Estados Unidos que se despedaçaram politicamente frente ao poderio do império britânico, que por sua vez é motivador da presença do General Sam Houston na primeira parte da história. O fato do final não fornecer explicação para todos os mistérios da trama também pode decepcionar o leitor. Mesmo aqueles momentos explicados, não o são de modo explicito. Finalmente, apesar do livro não ser imenso é bastante complexo e exige do leitor um fôlego maior para apreciá-lo.
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Resenha #11 - O Mundo de Rocannon (Ursula K. Le Guin)

O Mundo de Rocannon (The Rocannon's World) é o primeiro livro de Ursula K. Le Guin. Nesta obra ela consegue em poucas páginas trazer uma história rica onde aborda os mitos e a etnografia de forma profunda sem ser pedante. Esta é uma de suas características mais cativantes, com uma escrita habilidosa, trazer temas complexos de forma prazerosa ao leitor. O livro também é o primeiro do que viria a se tornar o "Ciclo de Hainnish" junto com mais seis livros, incluindo seu mais notório "A mão Esquerda da Escuridão".

A estória
Rocannon é um etnógrafo espacial que faz parte da "Liga de todos os Mundos" sediada no planeta Hain. Ele está em missão num planeta desconhecido não cartografado, que orbita a estrela Formalhaut. O planeta possui várias espécies inteligentes, algumas divididas em senhores e servos e outras em tribos coletivistas. A nave de Rocannon é destruída, por uma força rival a Liga, junto de toda sua tripulação e ele é o único sobrevivente. Começa um jornada para conseguir enviar um pedido de socorro para a liga. Rocannon parte com uma expedição junto com os senhores de Harlam, seus aliados.

Ficção Científica ou Fantasia?
Durante a jornada é fácil achar que estamos em meio a uma aventura de Fantasia, pelos personagens que vivem em um sistema parecido com o feudal uma visão particular que eles tem do viajante espacial. É nesta relação que Le Guin brinca com os mitos que se formam entorno de Rocannon. Existe a justificativa cientifica, pois quando Rocannon está em sua nave FTL ("mais rápida que a luz") no espaço  o tempo passa mais devagar, e suas primeiras visitas ao planeta o fizeram conhecer gerações diferentes dos habitantes do planeta. Existe a explicação mitológica para a existência de Rocannon, o "Olhor", "senhor das estrelas" aquele que guarda uma joia sagrada/amaldiçoada para o povo de Haram, um amigo e aliado de Rocannon.
Nesta primeira obra já temos uma ideia de como a escrita de Le Guin consegue fazer uma simples aventura se destacar das demais do gênero. Sem exibicionismo em relação a ciência, nem a Fantasia. Um romance rápido de e sem excessos. Contudo é difícil de encontrar, mas a leitura compensa.
Ficha técnica
Título: "O Mundo de Rocannon" (The Rocannon's World)
Autor: Ursula K. Le Guin.
Editora: Ediouro
Nº de páginas: 217
Ano: 1977 (1966).
Aquisição: Comprado sob encomenda em um em sebo por 17 reais.
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sábado, 5 de dezembro de 2015

Resenha #10 - Fluam, minhas lágrimas, disse o Policial (Philip K. Dick)

[SEM SPOILERS]
"Fluam, minhas lágrimas, disse o policial" (Flow my tears, the policeman said) é uma das obras mais emocionais de Philip K. Dick. Isso não significa que o livro seja meloso, mas intimista com certeza. O autor aborda temas como identidade, drogas e em menor proporção a fama e a governos autoritários.

O mundo onde se desenrola a estória é uma ditadura da polícia, fruto de uma segunda guerra civil nos EUA. Nela, estudantes vivem sob cerco nos esgotos, os negros foram esterilizados e projetos de reprodução de eugênia chegaram a ser tentados. A televisão ganha uma influência na sociedade, onde a tecnologia de carros voadores e viagens interplanetárias são corriqueiras.
Acompanhamos Jason Taverner, uma celebridade, que possui um programa semanal na TV e vários discos gravados, não demora muito para vermos que Jason é um sujeito manipulador e egoísta que usa seu charme para conseguir o que quer. Depois de uma discussão com uma ex-amante que atentou contra sua vida ele acorda em um quarto de hotel, sem documentos. A partir daí, ele descobre que ninguém sabe quem ele é. Todos os conhecidos com quem tenta contado, parecem desconhece-lo. Os registros oficiais mostram que ele nunca existiu e a sua jornada pela busca de sua identidade se inicia. 
Capa da primeira edição brasileira com o tosco nome de: "Identidade Perdida - O homem que virou ninguém"
Identidade e a "resposta" científica
Um dos elementos originais aqui é como Dick aborda a perda da identidade. Em livros como em "Identidade Bourne" de Robert Ludlun, e em muitos filmes temos , na maioria das vezes um personagem principal que perdeu sua memória e busca sua identidade procurando certas pessoas que o conhecem e fugindo de outras. Em "Fluam minhas lágrimas", Taverner sabe quem é, mas o mundo ao seu redor o desconhece. A presença da fama em sua vida e o mundo tomado por uma ditadura policial agravam seu drama.
A busca de Taverner o leva a um dilema constante, não exclusivo deste livro, mas na obra de Dick como um todo: qual o limite entre o real e o irreal? Não nos é oferecido um chão seguro para pisar. Entramos nas dúvidas de Taverner e continuamos a querer saber o que aconteceu. Em certo momento teremos as respostas plausíveis para os questionamentos de Taverner, ouvidas da boca de um cientista. Contudo percebemos o quanto essa resposta deixa um vazio. A ciência aqui é apenas capaz de mostrar "como", mas não o "por que" de tudo ter acontecido daquela forma.
Conclusões
O tom intimista da obra é um prenuncio para o quase autobiográfico VALIS. As pessoas que Jason vai conhecendo, com seus dramas pessoais misturando-se aos dele são mostradas com muita sensibilidade por Dick, isso nos impede de rotular qualquer personagem sumariamente. Este é um efeito que engrandece a obra. Neste ponto, vejo a obra de Dick como uma homenagem aos amigos que perdeu para as drogas e que ele próprio seria vítima quando da sua morte em 1983.
Ficha técnica
Título: "Fluam, minhas lágrimas, disse o policial" (Flow my tears, the policeman said)
Autor: Philip K. Dick.
Editora: Aleph
Nº de páginas: 255
Ano: 2013 (1974).
Aquisição: Comprado na feira do livro de Porto Alegre por 38 reais. É, desisti de procurar em sebos.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Resenha #9 - Neuromancer (William Gibson)

[SEM SPOILERS]
Neuromancer é acima de tudo um clássico da Ficção Científica. É um livro básico para imergir na literatura cyberpunk. É um mundo que combina altas doses de tecnologia mas que ao mesmo tempo não se converte numa melhora na qualidade de vida, muito pelo contrário. A vida é alterada profundamente neste mundo. Implantes cibernéticos e soquetes para programas que acessam diretamente o cérebro, tornam a tecnologia invasiva e pervasiva, ou seja, é impossível ficar distante dela pois está em toda parte. Isso se deve ao aspecto mais marcante desta sociedade imaginada por Gibson: a predominância do ciberespaço

Mas afinal qual é a história que se passa nesse mundo? 
Neuromancer acompanha a história de Case, um cowboy do ciberespaço, um hacker talentoso em invadir e roubar informações de bancos de dados de corporações. Case trabalhava para organizações criminosas que requisitavam os seus serviços, contudo ele cometeu a besteira de roubar seus patrões que se vingaram injetando uma toxina que o impede de acessar a Matrix (sim, os Wachowsky inspiraram-se neste livro), que é um ambiente de ciberespaço como é a Internet hoje.
Eis que entram na história Armitage, um ex-militar misterioso que oferece uma cura para Case voltar a ser um cowboy trabalhando para ele e Molly Millions, uma "razor-girl" que trabalha de capanga de aluguel para Armitage. Molly já havia aparecido no conto Johnny Mnemonic e faz uma aparição em Monalisa Overdrive, o terceiro livro da Trologia do Sprawl do qual Neuromancer faz parte. Ela é uma mulher de muita personalidade, independente e que não cai na masculinização, nem na hipersexualização, tão comuns nas personagens femininas fortes na Ficção Científica. Outro destaque vai para as Inteligências Artificiais que rendem diálogos tão fluidos quanto bizarros, como quando Case conversa com um ROM baseada na memória de num cowboy já falecido chamado Dixie Flatline.
Representação de Chiba city, muita influência noir
Neuromancer hoje
O fato de não conseguirmos ficar longe do whatsapp, já é um exemplo atual de como a presença do ciberespaço nos ocupa. Apesar do autor sequer imaginar o uso de telefones celulares hoje (vale lembrar, que nenhum autor de FC nunca teve obrigação de fazer adivinhações ou profecias), a necessidade de ficar perto de alguma forma ao ciberespaço e a impossibilidade de ficar totalmente alheio a ele concede um elemento premonitório a obra. O drama de Case é a possibilidade de talvez nunca mais poder acessar o ciberespaço. Hoje um drama cotidiano de quem fica sem bateria no celular. Isso foi muito inovador no inicio dos anos 80, quando o livro foi escrito e lançado.

Conclusões
Neuromancer não é um livro fácil. É sobre o submundo com uma linguagem de submundo. É imersivo pela quantidade de termos técnicos. A versão comemorativa (lida para esta resenha) possuí um glossário para ajudar nos termos mais complicados, mas recomendo usar um lápis para escrever no final do livro outros termos estranhos ao leitor não contemplados. Existem termos inventados por Gibson para coisas que tem outro nome hoje pois que não existiam na época, como o Firewall, que ganhou o nome de ICE. Fora as referências da arquitetura e cultura pop que pipocam na leitura e pode confundir o leitor mais desavisado. Inclusive a ponto de largar a leitura. Mas aqueles que resistirem e buscarem algum conhecimento de fora para ajudar a leitura, caso não o tenham, sabem que vale a pena.
Ficha técnica
Título: "Neuromancer"
Autor: William Gibson.
Editora: Apelh
Nº de páginas: 319
Ano: 2008 (1984).
Aquisição: Comprado em sebo por 20 reais.
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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Artes inspiradas em Neuromancer

Enquanto não termino a releitura do Neuromancer de William Gibson, deixo umas representações em desenho muito bacanas dos principais personagens. É interessante para quem já leu ver se eles ficaram parecidos com sua imaginação ou não. Case e Armitage, para mim, ficaram muito parecidos com o que eu já imaginava, polícia Turing e Julie Deane ficaram bem parecidos também. Mas o que não dá pra negar é as artes que ficaram muito bacanas.
Futuros fazedores da adaptação as telas, inspirem-se nisso, por favor.
 Para ver os outros personagens clique para ampliar.
Confira este e outros trabalhos do autor: Deimos-Remus
Não conhecia? Quer ler Neuromancer? Baixe aqui no blog. LINK.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Simulador de dilúvio: Global Sea Level Rise

Da bíblia até filmes de ficção científica, especialmente aquela fase "cinema desastre", sempre imaginamos como seria a água do mar invadindo as pequenas porções de terra no nosso planeta. Seja pelo derretimento das calotas polares ou por vontade divina, isso mexe com a nossa imaginação. Podemos ver o efeito que isso traria no mapa mundi neste simulador que eleva o nível do mar em até 60 metros em um mapa do Google. Você pode aproximar e ver sua cidade em detalhes, ou pontos conhecidos do mundo. E ai, sua cidade se salva do dilúvio? para onde você teria de correr até chegar a um lugar alto? Depende de você viajar no mapa e imaginar o que aconteceria.
Entra no endereço aqui para acessar: http://geology.com/sea-level-rise/

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Black Mirror: porque assistir?

Black Mirror é uma série de televisão inglesa da BBC exibida nos anos de 2011 e 2013. O tema principal é a influência da tecnologia nas nossas vidas e esta é a única coisa que liga as histórias, que não tem continuidade, nem repetem personagem ou atores. A ficção científica é um recurso comum, mas não é a regra na condução das histórias, que trazem reflexões atuais e variadas de nosso tempo.
Foram duas temporadas com três episódios cada e um especial de natal. A série vai ganhar uma nova temporada ano que vem pela Netflix. Se você não conhece a série deixe-me tentar te convencer a assisti-la com uma série de resenhas dos episódios, sem spoilers.  
Neste site eu consegui ver a série completa, menos o especial de natal. Contudo este tipo de material não fica por muito tempo nesses sites. É bom ver o quanto antes. Isso remete a pergunta da postagem. 

Porque assistir Black Mirror?
A tecnologia se mostra como uma Caixa de Pandora quando aberta. Isso já foi pensado das máquinas que lotavam as fábricas durante a Revolução Industrial no séc. XIX por vários pensadores de seu tempo e as transformações radicais que seguiram na história humana não os desmentiram. A décadas atrás o mesmo foi dito da informática e dos computadores. Não faltaram reflexões críticas na Literatura e nas Ciências sobre as transformações que estas novas tecnologias. 
A literatura Cyberpunk imaginou as piores expectativas possíveis em seus romances distópicos. A realidade alterada por computadores estavam nas fantasias de Philip K. Dick que passou-as em conta-gotas para seus romances entre os anos 1960-80. O clássico Neuromancer (1984), de William Gibson, cunhou vários termos usados até hoje quando se fala em cibercultura. Estas e tantas outras obras, foram um alerta para onde não ir. Esta é a função que se propõe na literatura distópica. Contudo esta Caixa de Pandora que parece não estar vazia continua a mudar nossa realidade. Novas reflexões precisam ser feitas porque muito do que aquela literatura temia está acontecendo. 
Black Mirror usa (quase sempre) a Ficção Científica para jogar em nossa percepção os atuais mal estares de nossa sociedade. São contos distópicos, tensos mas bastante palpáveis. É impossível ficar impassível com essas histórias e se a terceira temporada for tão boa quanto as duas primeiras você vai querer ter visto estes episódios. O espelho preto está na palma das nossas mãos e não conseguimos parar de olhar para ele.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Crie seu sistema solar!

O Super Planet Crash é um jogo de Ficção Científica pra se divertir. Crie seu sistema solar adicionando corpos celestes ao redor de uma estrela parecida com o sol. Você pode escolher um corpo do tamanho da Terra, Superterra (x5), Gigante de gelo (x15), Gigante (x300), Anã marrom (5.000) e Estrela Anã (30.000). Então você vai colocando os planetas de forma que nenhum corpo seja expulso do sistema pela gravidade dos corpos. Quanto maior o corpo, mais pontos e maior a probabilidade de interferir em um corpo que já esteja inserido no sistema, então pense bem, ou não!
Para jogar clique aqui para acessar o site! 
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domingo, 4 de outubro de 2015

Resenha #8 - Os Despossuídos (Ursula K. Le Guin)

[SEM SPOILERS]
"Os despossuídos", de Ursula K. Le Guin, é o quinto livro ambientado no mesmo universo (chamado Ciclo de Hainnish) criado pela autora, mas na ordem cronológica é o primeiro. A Le Guin nos conduz a uma viagem por Annares, uma lua onde se "vive uma utopia" anarquista, e seu mundo irmão Urras, dividido por uma guerra fria entre duas potências continentais. As relações sociais desta sociedade utópica passam longe de um binarismo primário. Nem paraíso, nem inferno, mas sim cheia de ambiguidades. É uma pérola humanista que merece uma chance de ser lida.

A história conta a vida de Shevek, um físico da Lua Annarres que viaja para o planeta Urrás. Ele está trabalhando em uma "teoria da simultaneidade" que lida com o tempo, onde passado e presente acontecem ao mesmo tempo. O leitor notará que os capítulos intercalam a viagem de Shevek por Urrás, e outro em Annarres, onde aos poucos nos é revelado os motivos da viagem. Le Guin não deixa pontas soltas e seu livro.
Urrás é um planeta dividido por uma guerra fria entre A-Io, uma potência capitalista (que faz menção óbvia aos EUA) e Thuv, uma potência socialista (por sua vez, URSS). Ambas as potências apoiam lados opostos em uma guerra em um país chamado Benibli, no outro lado do planeta. Esta situação faz menção a a guerra do Vietnã, conflito que acontecia na época em que Úrsula escrevia o livro, e obviamente, a Guerra Fria. Já Annarres, lua orbitante de Urrás, é árida e possuí poucos recursos naturais. Ela foi povoada pelos seguidores de Odo que liderou uma revolução fracassada em Urrás que terminou com um acordo no qual seus seguidores se mudariam para a lua e não seriam mais incomodados. Estes por sua vez mantém um isolacionismo severo desde o povoamento.
Mapa de Urrás presente no livro 
Em Anarres foi fundada uma nova sociedade baseada nos princípios da coletividade e do bem comum. A língua criada pelos povoadores é o právico, Le Guin não chega a criar uma lingua mas ela aparece como elemento de diferenciação entre as sociedades pois, reflete as ideias fundadoras de cada sociedade. Os pronomes possessivos são desencorajados desde a terna idade. Eles não dizem "você pode usar o meu lenço", por exemplo, mas "você pode compartilhar o lenço que estou usando". Dessa situação deriva o nome do livro, eles são despossuídos.
Mapa de Annares 
No decorrer do livro Úrsula satisfaz várias perguntas de "como seria lá?" durante os capítulos que abordam Anarres. Desde o início é possível notar que existem problemas nesta utopia e ao longo da história somos apresentados a eles, deixando claro que a utopia desenvolvida é consistente. É possível ver que para Le Guin, a utopia é um lugar a ser alcançado, por mais que acreditemos viver nela. Já nos capítulos de Urrás o modo de pensar de Shevek é trabalhado primeiramente pela contradição de um annaresti comum em uma sociedade capitalista (ou proprietária, nas palavras de Shevek) e com o passar das páginas podemos ver a sua especificidade de físico "acadêmico" e pacifista em busca de uma superação das contradições entre Urrás e Anarres.
A condução da história não é cercada de reviravoltas surpreendentes, o que pode deixar a obra arrastada para quem busca emoções fortes. Mas a construção dos personagens secundários é fantástica. Podemos ver, no decorrer da obra, como cada um contribui para formar o protagonista. O que torna engenhoso pois eles provocam um efeito retardado, as peças do quebra-cabeça juntam-se na mente de Shevek. Todos os personagens secundários tem função na jornada de Shevek.
É uma obra interessante para quem gosta de discutir filosofia e política, pois a ambiguidade dos mundos que descreve tem potencial para abrir diversos debates sobre anarquismo, capitalismo, pacifismo, feminismo e sociedades revolucionárias. Os pontos negativos, acompanham suas maiores qualidades. O personagem desenvolve-se bastante do ponto de vista filosófico, o que pode deixá-lo muito frio ao leitor. Por ser uma jornada pessoal e reflexiva este problema pode agravar-se. As longas descrições de Annares e de sua sociedade, apesar de essenciais a trama e as reflexões do protagonista, podem cansar o leitor. As camadas mais profundas do texto são as essenciais, por isso não é um livro que favorece a leitura superficial. 
E ai, se interessou? Se desejar baixar o livro em pdf entre neste post com os downloads da autora no blog e seja feliz!


Ficha técnica
Título: "Os Despossuídos" (The dispossessed)
Autor: Úrsula K. Le Guin.
Editora: Nova Fronteira
Nº de páginas: 283
Ano: 1978 (1974).
Aquisição: Comprado em sebo por 17 reais.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Listão de filmes curtas de Ficção Científica - Parte 1

Filmes de curta metragem são equivalentes a contos na literatura. Tem a vantagem de você não ter que parar tudo por duas horas pra poder apreciar. Variam de 2 minutos até quase meia-hora. Esta é a primeira parte da seleção com 8 curtas bem bacanas!
"Abiogenesis" de Richard Mans

"Firts Born, The" de Roy Arwas

"From The Future With Love" de Michel Parandi

"KORTEX" de Robin Disch

"Last Human in the Milky Way, The" de Benjamin Combes

"PLUG" - de David Levy

"Pólis" de Steven Ilous

"Vengeance" de Julian Fitzpatrick
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domingo, 20 de setembro de 2015

Akira - Mangá completo para baixar

Akira é um dos clássicos do cyberpunk japonês dos anos 90. Voltou a ser comentado depois do interesse de Chirstopher Nolan em adaptá-lo em live-action. A história mostra um futuro distópico uma neo-Tóquio reconstruída após a terceira guerra mundial. Kaneda e sua gangue de motoqueiros se sofrem um acidente envolvendo uma criança especial. Um dos membros da gangue Testuo, descobre-se com poderes que não pode controlar. No desenrolar da história vamos descobrir os eventos que destruíram Tóquio e que podem destruí-la novamente. Tudo gira entorno de uma misteriosa criança, chamada Akira. Enquanto não temos a confirmação de que o filme vai acontecer ou não, você pode ler online o original aqui no blog ou baixar para ler off-line.
Clique para abrir o arquivo e ler online ou baixar.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

3 vídeos de análise do filme Blade Runner em vídeo!

3 vídeos de análise do filme Blade Runner. 
Este vídeo foca as influências artísticas e no legado da obra. Em inglês.
Análise sociológica, em inglês também.
Análise do filme, do canal Nem Fudendo. Ele faz considerações importantes.
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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Veja o anime Ghost in the Shell

Para quem já leu ou ainda vai ler o mangá. A versão em anime de longa metragem de Ghost in the shell pode ser vista aqui no blog na integra. Podemos notar que a história teve de ser encurtada para caber no formato do filme e que a protagonista ficou um pouco masculinizada, mas nada que atrapalhe muito a apreciação do filme. Tem tomadas lentas e momentos de ação intensa.
A versão disponível no youtube é dublada. Apesar deste blogueiro apreciar o material legendado a dublagem foi muito bem feita, afinal o trabalho de dublagem no Brasil sempre tendeu mais para o alto nível que o contrário.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Ghost in the Shell - Manga Cyberpunk para baixar

É o futuro próximo. O mundo tornou-se atamente intensivo informacionalmente, com uma larga rede corporativa cobrindo o planeta, elétrons e luz pulsando sobre ela. Mas a nação-Estado e os grupos étnicos ainda existem. E assim na borda da Ásia, em um estranho Estado conglomerado-corporativo chamado "Japão"...
Assim começa a obra clássica do cyberpunk "Ghost in the Shell" de Masamune Shirow. O foco da história é o limite do ser humano e seu significado, quando a policial Major Mokoto teve tantas partes humanas substituídas que seu eu digital não sabe mais se é humano ou apenas um fantasma. Junto com o seu parceiro Barto ela está na caça de um criminoso chamado Mestre das Marionetes e se envolve numa trama envolvendo as corporações mais poderosas do Japão.
A distopia cyberpunk mostra um ambiente urbano sujo, cheio de luzes onde as corporações tem poder de controlar a mente e o corpo. As reflexões dos personagens são profundas e a ação é intensa. Vale a penas ser lido.
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sábado, 12 de setembro de 2015

Ursula K. Le Guin - Livros para baixar

A ficção científica de Ursula K. Le Guin tem uma abordagem social inconfundível. Suas histórias são tubos de ensaio onde são discutidos feminismo, anarquismo, taoismo, etnografia, mitologia, sociedades revolucionárias, individualismo, coletivismo, entre outros temas nos livros que englobam o chamado Ciclo de Hainish. A qualidade da prosa de Le Guin está em inserir temas complexos de forma muito sutil no decorrer das histórias. Deste ciclo "A mão esquerda da escuridão" é seu livro mais notório e Os Despossuídos também tem destaque. Os dois livros são os únicos do ciclo para download. Se você tiver um e-book faltante envie para wilburdcontos@gmail.com

Ursula Le Guin também tem uma obra consolidada na Fantasia com seu Ciclo Terramar (Earthsea), há qual temos completa no blog. A escritora tem inúmeros contos e vários romances publicados, infelizmente pouca coisa está na nossa língua materna.

Para baixar clique no título, alguns deles estão apenas de forma ilustrativa.

Livros do Ciclo de Hainish de Ficção Científica (ordem cronológica da história)


Floresta é o Nome do Mundo (1976) (sem arquivo disponível)

O Mundo de Rocannon (1966) (sem arquivo disponível)


A cidade das ilusões (1967) (sem arquivo disponível)


O dia do Perdão (1995) (sem arquivo disponível)

Livros de avulsos

A Rosa dos Ventos (sem arquivo disponível)

Livros do Ciclo Terramar (Earthsea) de Fantasia

Conto premiado como melhor conto de 1974 no Hugo Awards
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Conto autoral - Breve relato da última existência na terra


Primeiro conto que escrevi e publiquei.

Primeira versão publicada no blog Fantasticontos

Segunda versão publicada no blog Undermundo.

Versão atual em PDF. Baixe aqui

ou leia no blog mesmo.

* * *

Olhava para o horizonte em meio a todo o caos que tomara conta do mundo. Nádia imaginou as pessoas buscando abrigo. Soube da correria e desespero de famílias unidas buscando lugar em alguma nave rumo à Marte ou a alguma lua de Júpiter ou Saturno. Mas não havia abrigo suficiente para o que estava por vir. Pensou também nos solitários conectados que buscavam informações que lhe acalmassem. Sabiam eles do inevitável, porém recusavam-se a sair de suas poltronas e consoles. Sentiu pena em imaginar o que fariam quando a energia acabasse.
Sentada em posição de flor de lótus. Solitária. Sobre uma colina próxima do centro urbano de Astana encarou o astro-rei em seus suspiros finais. O sol pulsante havia semanas, enviando ondas de calor que destruíram cidades inteiras em questão de segundos. Os cientistas já haviam desistido.
O que Nádia via era o sol. O astro-rei. O objeto mais importante para a manutenção de toda a vida e existência na Terra e nas colônias dentro do sistema solar entrando em colapso. Aquele evento que nunca preocupou a humanidade tornara-se presente. O momento em que o sol explodiria e passaria de uma estrela do tipo anã amarela para se tornar uma gigante vermelha. Era um absurdo aquilo acontecer milhões de anos antes do previsto.
Nádia já havia parado de matutar sobre as dúvidas que os astrofísicos compartilharam com ela. Será que erramos cálculos tão sólidos? Será que há outro agente que está causando isso? Gritavam desesperados perto dela. Nunca saberia. Sequer se preocupou mais em divagar sobre isso. Afinal se os especialistas não sabiam, uma historiadora não ajudaria muito. Apenas relembrou o que aprendeu sobre isso. Imagens gráficas do evento. Os planetas rochosos sendo engolidos pela presença física da estrela em nova fase até deixar Júpiter ocupando o posto que era de Mercúrio.
Talvez, continuou a refletir, aqueles que tentaram fugir para Ganimedes, Europa ou ainda para a longínqua Titã, queiram mesmo acreditar que estariam seguros nessas colônias e se agarraram com todas as forças nesta mínima possibilidade. Lá no fundo sabiam que o futuro das colônias não era melhor que o da Terra. Mas Nádia não queria se enganar. Escolheu um final diferente para sua existência. Nada de encolher-se e esperar o calor infindável. Preferiu colocar um par de óculos de lentes douradas especiais e encarar a estrela prestes a entrar em colapso de frente.
Relembrou de sua juventude, redescobrindo a primeira de várias ciências mortas que virou a missão de sua vida. Apenas para ver tudo morrer novamente. Remoendo mais coisas, ficou aliviada diante da situação por nunca ter sido mãe. Remexeu em outras decisões de sua vida, mas afastou esses pensamentos afirmando a si mesma que são inúteis numa hora dessas. Alguma coisa seria útil?
Pensar no passado era o que restava para quem não poderia mais pensar no futuro. Como historiadora não me falta material mental para refletir. Alegrou-se brevemente. Mas a história serve para refletir sobre o que faremos no futuro e…
Seu raciocínio foi interrompido por um estrondo e uma luz que durou pouco mais que alguns segundos. Se não fossem os óculos estaria cega por ela. Uma região habitada a quase perder de vista ardeu em chamas e radiação. O calor aumentou e podia observar o sol pulsar para os lados como se empurrando alguém que estivesse ao seu lado lhe incomodando.
- Está chegando. Finalmente! - Murmurou para ninguém.
Ao contrário do que havia visto em filmes de fim do mundo não havia lugar para niilismo sóbrio. Nem para ela que estava apenas contemplando o sol pela última vez em toda a história da humanidade. Não houve escatologia que nos preparasse para o que se iniciara, nem um crepúsculo para a coruja de minerva e ela se sentiu impotente pela última vez.

Pôde ver o astro-rei aumentar de tamanho rapidamente e sentiu as suas lentes derreterem em seu rosto antes de ficar completamente cega. O calor tomou conta se seu corpo, mas em seguida não sentiu mais nada. Estranhamente sentiu-se como no fundo do oceano quando mergulhara em sua juventude, mas sem o aperto da roupa de mergulho. Buscou olhar para os lados e raciocinar mas não conseguiu e então a última existência chegava ao fim.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Encontro de "Alien" com "Blade Runner"

Fonte: http://deankotz.deviantart.com/art/Aliens-VS-Blade-Runner-286951332
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sábado, 5 de setembro de 2015

O repórter da CIA - Conto de William S. Burroughs

Este miniconto foi chupado descaradamente por este blogueiro da coletânea Futuro Proibido. "O repórter da Cia" foi escrito por William S. Burroughs que joga na cara todas as contradições da política estadunidense durante a Guerra Fria, período em que o texto foi escrito. O que vale dizer é que o texto foi rejeitado, de revistas ditas liberais e visionárias, assim como todos textos da coletânea. Depois de ler, comenta ai se você acha que deviam ter impedido de publicar ou se, como eu acho, os editores seja lá quem fosse eram uns cagões. Boa leitura.

O Repórter da Cia
Esta noite, seu repórter amigo e imparcial, Joe bane, entrevistará o supermulá Aiatolá Khomeyinni, que se faz passar por líder espiritual dos 32 milhões de malucos do Irã que rezam e choramingam para ALá, inspirado pelos estimulantes ensinamentos do Islã: "Alá... Alá... Alá..." E uma ninhada de asiáticos mais miseráveis, sujos e doentes surge do esgoto para escarrar sua tuberculos sobre a Antiga Glória.

Senhor Koatimundi... não é fato que sua proposta de cancelar contratos militares americanos e fechar bases americanas representa um convite para o crescimento proporcional da influência militar russa? O senhor não estaria, na verdade, rolando par a cama dos comunistas, e entregando o Irã para Moscou numa bandeja de petróleo? Falando claramente em inglês americano, o senhor não é um agente de aluguel pago pelos soviéticos sindicalizados?

Senhor Koatimundi. Em uma entrevista para o Le Monde, um jornal de Paris, França, o senhor declara que deu permissão para se prepararem... o senhor admite que a "preparação" envolve a aquisição de armas. Quando lhe perguntaram se essas armas poderiam quem sabe vir da Rússia soviética através da assim chamada Organização para Libertação da Palestina, o senhor disse: "Eu não tenho informações..." Bem, eu digo que o senhor está mentindo até as gengivas, seu banguela chupador de caralho - o que o senhor tem a dizer sobre isso - HEIM?

William S. Burroughs
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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Storyboards raros de Blade Runner

Veja estes storyboards raros do filme Blade Runner. Para quem quiser se aprofundar nas técnicas usadas na produção ou para saciar a curiosidade sobre o material raro, fica a dica para apreciação.

       
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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Resenha #7 - A Máquina de governar (Philip K. Dick)

A máquina de governar (The Vulcan's Hammer) é um livro pouco conhecido de Philip K. Dick. Foi publicado pela primeira vez em 1960. Em língua portuguesa só existe a versão portuguesa da Coleção Argonauta. Para quem não gosta ou não está habituado a escrita ao modo dos lusitanos, é difícil acompanhar a história. Particularmente usei esta obra para me habituar as peculiaridades da língua características em toda a Coleção Argonauta, tendo em vista que é a única versão não tive muita escolha além do inglês. Como a trama não é complicada, ainda que não deixe de ser interessante, foi um bom começo. Bem, vamos falar da história dele. 

O livro nos leva a um mundo futurista onde governos foram substituídos na arte de governar por um por um computador racional e que se autorrepara. Este computador se chama Vulcan e ele está na sua terceira versão, sendo o atual regente designado Vulcan 3. Para cuidar do computador fornecendo tudo que este designasse surgiu uma organização chamada "Unidade". Ela reorganizou o planeta em zonas administrativas, que suprimiram os países. Durante a história acompanhamos vários personagens, mas principalmente o diretor da zona  Norte da América, William Barris e o Diretor Geral James Dill. Como todos os personagens principais de Dick tem falhas de caráter misturadas com qualidades, sempre fugindo do maniqueísmo na elaboração dos personagens. 

A Unidade se assemelha bastante ao Partido Nazista, não apenas pelos uniformes elegantes, cinzentos e ornados com faixas vermelhas nos braços, mas também na organização piramidal e no constante clima de paranoia e denuncias entre os diretores com o simples objetivo de galgar degraus na organização. Para os civis trata-se de um mundo bastante opressivo, uma ditadura de fato, como podemos notar nas cenas iniciais em que Dill vai buscar uma menina especial em sua sala de aula e o diálogo que se segue entre os dois. O centro psicológico de Atlanta é sempre mencionado com medo por todos os personagens.

Como se trata de um romance bem curto e narrado de forma bastante frenética, principalmente do meio para o final, não quero entregar muito a história. O que acho que pode ser dito sem estragar a leitura é que temos uma organização que luta contra o governo de Vulcan 3, chamada Os Curandeiros, liderada pelo Padre Fields. Quando um diretor chamado Pitt é assassinado pelos curandeiros Barris resolve investigar sua morte. James Dill também faz a sua investigação, contudo ele se consulta secretamente com o computador antecessor a Vulcan 3, o Vulcan 2. O jogo de paranoia e poder se inicia a partir dai e os computadores são peças chave na trama.

Está e uma novela considerada fraca, frente as grande obras do autor. Algo que conta contra o livro é o tema tratado (Estado Totalitário) já havia sido abordado e as questões filosóficas do autor estarem pouco presentes, contudo, merece ser lido porque é um livro digamos "redondo", tem bastante ação e para quem é fã do autor vai notar o dilema do limite homem-maquina em meio a loucura e paranoia que tomam conta daquele mundo.

Capas de versões em inglês
Baixe a versão em inglês (Vulcan's Hammer) 

  

Ficha técnica
Título: "A Máquina de governar" (Vulcan's Hammer)
Autor: Philip K. Dick.
Editora: Argonauta
Nº de páginas: 209
Ano: 1974 (1960).
Aquisição: Comprado em sebo por (segure-se na cadeira) 2 reais.
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